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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Resenha - Alta tensão (Harlan Coben)

Editora: Arqueiro
Ano: 2011
Páginas: 271

Sinopse:

Uma mensagem anônima deixada no Facebook da ex-estrela do tênis Suzze T põe em dúvida a paternidade de seu filho. Grávida de oito meses, ela pede a ajuda de seu agente e amigo Myron Bolitar para descobrir o responsável por essa intriga e trazer de volta seu marido, o astro do rock Lex Ryder, que saiu de casa depois de ler o texto. 

Descobrir o paradeiro de Lex não é tarefa difícil para um ex-agente do FBI. Mas, na mesma boate onde o encontra, Myron é surpreendido ao ver Kitty, a mulher que fugiu com seu irmão, Brad, e o afastou para sempre da família. 

Tentando ajudar a amiga e reencontrar o irmão mais novo, Myron se vê preso numa rede de segredos obscuros que põe em risco as pessoas que ele mais ama. Agora, só a verdade poderá salvá-las. Mas, para que ela prevaleça, nenhuma mentira pode restar – seja ela de Suzze, Lex, Kitty ou do próprio Myron. 


Nesta premiada história, Harlan Coben mais uma vez consegue construir uma trama envolvente, que fala de fama, ganância e rivalidade e surpreende por seu toque humano. Na aventura mais difícil de Myron Bolitar, seu passado vem à tona e, junto com ele, feridas que jamais se fecharão.

Opinião:

Primeiro livro desse autor que leio e já me surpreendi. Coben consegue unir a seriedade de uma investigação policial, entremeada por situações ilegais, mas que sabemos que acontecem por aí, com uma pitada de humor.

Uma situação do passado, que podia ser facilmente evitada não fosse a personalidade forte dos envolvidos, é a chave do enredo desse livro. Questões familiares trazem à tona inveja, raiva e outras fortes emoções. O protagonista escapa de situações perigosas inúmeras vezes, sempre na tentativa de desvendar o mistério.


Com a trama muito influenciada pelo lado psicológico, o autor nos propõe uma reflexão sobre como certas escolhas podem prejudicar nossas vidas por um longo, senão todo, tempo. 

sábado, 18 de agosto de 2012

Literatura pelo mundo - EUA (parte II)


A poesia dos Estados Unidos no século XIX
Os dois maiores poetas norte-americanos do século XIX não podiam ter temperamentos e estilo mais dissemelhantes. Walt Whitman (1819 – 1892) era um trabalhador, um viajante que se tinha autoproposto como enfermeiro na Guerra Civil Americana (1861 – 1865), além de profundamente inovador no campo poético. A sua obra maior foi “Leaves of Grass” ("Folhas de Erva”), na qual usa o verso livre e a métrica irregular para descrever a completa diversidade do universo da democracia norte-americana. Avançando nesta estratégia poética, o poeta equaciona todo o vasto espectro da experiência americana consigo mesmo, conseguindo furtar-se à acusação fácil de um egoísmo crasso. Por exemplo, na “Song of Myself” (“Canção de mim mesmo”), o longo poema central de “Leaves of Grass”, Whitman escreve: “São estes, deveras, os pensamentos de todos os homens, em todas as terras e todas as idades; não são diferentes de mim…”
Whitman foi também um poeta do corpo – “o corpo eléctrico”, como lhe chamou. Nos seus Estudos de Literatura Americana Clássica, o romancista inglês D. H. Lawrence escreveu que Whitman “foi o primeiro a esmagar a antiga concepção moral segundo a qual a alma humana é algo superior que paira acima da carne.”
Emily Dickinson(1830 – 1886), por outro lado, levou uma vida de reclusão devido à sua condição de solteirona bem nascida, numa pequena cidade de Massachusetts. Na sua estrutura formal, a sua poesia demonstra engenho, é espirituosa, engendrada com requinte e de grande penetração psicológica. A sua obra era, no entanto, pouco convencional para a sua época, de modo que pouco foi publicado durante a sua vida.
Muitos dos seus poemas incidem sobre o tema da morte, utilizando muitas vezes fórmulas inesperadamente maliciosas. “Porque não pude parar para a Morte” começa um, “Ela, gentil, parou para mim” . No início de outro poema, Dickinson brinca com a sua posição de mulher numa sociedade dominada por homens, o que a remete para a sua condição de poetisa sem reconhecimento público: “I’m nobody! Who are you? / Are you nobody too?” (“Sou ninguém. Quem és tu? / És ninguém, tal como eu?”).

O dealbar do “Século de ouro americano”

No início do século XX, os romancistas americanos começaram a expandir o espectro social apresentado no campo ficcional, de forma a abarcar todas as classes sociais. Nos seus contos e romances, Edith Warthon (1862 – 1937) escrutinou a classe alta típica da costa leste dos Estados Unidos, onde cresceu. Um dos seus melhores livros, "A Idade da Inocência” (título dado em Portugal) (“The Age of Innocence”), centra-se na história de um homem que escolhe casar com uma rapariga “aceitável”, de acordo com os padrões convencionais desta camada social, em detrimento de uma outra, que o fascina e que pertence a uma outra esfera. Sensivelmente na mesma altura, Stephen Crane (1871 – 1900) – mais conhecido pelo seu romance, passado na Guerra Civil Americana, “The Red Badge of Courage” (em Portugal, conhecido pelo título "Sob a Bandeira da Coragem”, e no Brasil por “O Brasão Vermelho da Coragem”, “Emblema Rubro da Coragem” ou “Glória de um Covarde”) – descrevia a vida das prostitutas de Nova Iorque em “Maggie: a Girl of the Streets” ("Maggie: Uma rapariga das ruas”). Em “Sister Carrie”, Theodore Dreiser (1871 – 1945) retratou uma rapariga do campo que se muda para Chicago onde será mantida como amante de um homem rico – o mundo da prostituição de luxo. No século XX, vários autores ganham destaque, como William Faulkner, pondo em relevo as agruras do sistema de segregação racial. Richard Wright (1908-1960) ganhou destaque contando suas recordações de infância e adolescência como Black Boy (traduzido no Brasil por Negrinho), abrindo caminho para diversos autores negros, como por exemplo James Baldwin. Ernest Hemingway vencedor do prêmio Nobel de Literatura, desenvolveu uma técnica enxuta de narração, quase cinematográfica, onde as personagens se movem em quadros e os detalhes mais pormenores são realçados na estrutura da narração. Sua mais célebre novela é o "O velho e o mar". John Steinbeck um dos maiores autores da pós-recessão americana de 1929. Escreveu obras primas como "As Vinhas da Ira", narrando as aventuras da família Joad rumo a Califórnia, num êxodo americano rumo ao oeste fugindo da pobreza do leste, devastado pela recessão e a ganância das companhias bancárias. Outras obras do autor, A Leste do Éden, Boêmios Errantes, Ratos e Homens, A pérola, Rua das Ilusões Perdidas, entre outras. Também foi agraciado com o Prêmio Nobel de Literatura, a exemplo dos seus antecessores e compatriotas William Faulkner e Ernest Hemingway.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Literatura pelo mundo - EUA (parte I)


A literatura norte-americana inicial deve muito às formas e estilos originários da Europa. por exemplo, "Wieland" e outros romances de Charles Brodcken Brown (1771-1810) inspiram-se diretamente nos romances góticos que então eram escritos na Inglaterra. Mesmo as narrativas impecavelmente urdidas por Washington Irwing (1783-1859) - principalmente Rip Van Winkle e The Legend of Sleepy Hollow - parecem claramente européias apesar de a ação se desenrolar no Novo Mundo.

As primeiras obras legitimamente norte-americanas

Talvez o primeiro tradicional de Nova Inglaterra, de onde era originário. A sua obra prima, A letra escarlate (The Scarlet Letter), drama de uma mulher rejeitada pela comunidade por ter cometido adultério.
A obra ficcional de Hawthorne teve um impacto profundo na escrita do seu amigo Herman Melville (1819-1891), que ganhou rapidamente boa reputação como escritor ao inspirar-se na sua vida de marinheiro para criar narrativas em ambientes exóticos. Tal como em Hawthorne, a escrita de Melville é rica em especulações filosóficas. Em Moby Dick, uma viagem repleta de aventuras, num navio baleeiro torna-se pretexto para examinar temas como a obsessão, a natureza do mal e a luta entre o homem e os elementos (a natureza). Em outro livro de grande valor, a novela Billy Budd, Melville dramatiza o conflito entre dever e compaixão a bordo de um navio em tempo de guerra. Os seus livros mais profundos tiveram pouco sucesso comercial e, após a sua morte, foi remetido ao esquecimento até ser de novo descoberto, apenas nas primeiras décadas do século XX.
Em 1836, Ralph Waldo Emerson (1803 – 1882), ex-ministro da Segunda Igreja Unitária de Boston, publicou uma surpreendente obra não ficcional ("Nature"), na qual é defendido que se pode prescindir da religião organizada e atingir um estado espiritual elevado através do estudo e interacção com a natureza. O seu trabalho não só influenciou um conjunto de escritores que à sua volta se formou – o movimento do Transcendentalismo – como o próprio público que assistia às suas conferências.
O mais dotado dos discípulos de Emerson foi Henry David Thoreau (1817– 1862), um não-conformista resoluto. Depois de viver praticamente de forma auto-suficiente numa cabana junto a uma floresta nas margens de um lago, durante dois anos (de 1845 a 1847), Thoreau escreveu "Walden ou a vida nos bosques”, um relato autobiográfico que exorta à resistência contra a intromissão dos ditames das sociedades organizadas. A sua escrita, radical, expressa uma tendência profundamente enraizada no carácter americano para o individualismo.
Mark Twain(o pseudónimo de Samel Clemens, 1835 – 1910) foi o primeiro grande escritor norte-americano a nascer longe da costa oriental, no estado fronteiriço do Missouri. O relato autobiográfico “Life on the Mississippi” e o romance "As aventuras de Huckleberry Finn” são duas obras-primas de carácter regional. O estilo de Twain – influenciado pelo jornalismo, ligado ao vernáculo, directo, despojado, ainda que altamente evocativo e irreverentemente divertido – mudou radicalmente a forma de se escrever o inglês na América. As suas personagens falam como gente real, soando distintamente americanos ao usarem os dialectos locais, neologismos e pronúncias regionais.
Henry James (1843– 1916) defrontou o choque cultural que se estabelecia, então, de forma mais acentuada que hoje entre o Novo e o Velho Mundo (o continente americano e europeu). Ainda que tenha nascido em Nova Iorque, viveu a maior parte da sua vida adulta em Inglaterra. A sua obra centra-se muito em personagens dos Estados Unidos da América que vivem ou viajam pela Europa. Através de um estilo narrativo intrincado, complexo e pleno de subtilezas psicológicas que disseca com mestria, a ficção de James pode ser considerada como difícil por parte de alguns leitores. Entre as suas obras mais acessíveis encontram-se, por exemplo, “Daisy Miller”, sobre uma encantadora rapariga americana na Europa e “The Turn of the Screw” ("A Volta do Parafuso” – uma enigmática história sobre o sobrenatural.