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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Poesia - Um testamento do mundo (Majela Colares)


Trecho da parte 1

Um verde antigo no seduz agora
quando de cinza se tisnam instantes
folhas em fuga, se sabe, distantes
vagando soltas pelo mundo afora

folhas ao vento - de um outono - errantes
veredas tardias...pó sem retorno
seguindo gestos de sinais mutantes

ameaça certa a vagar em torno...
males de outrora que sopram rumores
- tremem espinhos, raízes e flores - 
reverso do inverso...borda e contorno

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Poesia - Amor e medo (Casimiro de Abreu)

Trecho de AMOR E MEDO


Quando eu fujo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, oh! bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
"- Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas, meu amor é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é quete adoro louco...
És bela - eu moço; tens amor - eu medo!...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Poesia - Palavra de um rio (Majela Colares)



PALAVRA DE UM RIO

Dentro de mim ainda dorme um canto
alguma força que guardei da fúria

e no meu ventre se resguarda o cio...

mas vem a morte disfarçada em homem 
que me instiga a responder com mágoa:

- dentro de mim ainda pulsa um rio

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Poesia - Então (Mauro Ulrich)



Quando o féretro partiu
os rapazes que estavam na tabacaria
olharam para o viúvo
de-mo-ra-da-men-te
Buscavam no sofrimento do outro
algum consolo inútil
para suas vidinhas sem graça.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Poesia - Reflexo (Daniela Damaris)



Mirar
nua
no espelho
a imagem
do corpo
que já não me
pertence
Devorar-me
a mim mesma
com os olhos
teus
Rasgar-me
a roupa
que já não me
veste
Arranhar-me
o colo
com a gula
brutal da
besta
Saciar-me
a fome
da carne
de sal
de sangue
de mim

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Poesia - Profana (Élvio Vargas)

Lentamente dissipou-se o véu
vencido pelo clarão da manhã
Os meus reinos ardiam em chamas
palácios, coxias, cocheiras
mergulharam à mercê dos saques
Um vento nervoso, ofegante
lambia a rosa vermelha
eu me exibia 
navegando nua
nas profundezas do espelho
abissal, abissínio, abismal
O centurião das sombras
penetrava-me
e um fogo úmido escorria
pelos súditos das minhas carnes
Trêmula a barriga da perna
soçobrava
sobre a leveza dos lençóis
Ventre, púbis, ilíacos
rodopiavam aguados
no pântano morno das secreções
Os brancos continentes da pele
derretiam-se
ao leve toque da labareda
Meus orifícios sucumbiam
esvaídos na orgia dos pêlos
As coxas torneadas comprimiam
o feroz exercício do desejo
Uma corte toda rezava
e os súcubos aplaudiam
A inquisição e o santo ofício
queimavam gravetos e lenhas
não vim para ser Maria
Joana, Efigênia
deixarei apenas vestígios
de profana...

terça-feira, 30 de abril de 2013

Poesia - Rosas (Ruth Farias Larré)

Rosas régias chegaram pelo ar

Rubras
como um desejo
que ardeu outrora

Luminosas
como raio estelar
que ainda aquece e enlaça

Orvalhadas
como voz
que escorre
acariciante
pelos fios da distância

Etéreas
como um amor desarvorado
que se despetalou pelo infinito

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Resenha - Toda surdez será castigada (Carlos Jr.)

Editora: Vale em poesia
Ano: 2011
Páginas: 68


Sinopse:


Um conjunto de poemas que mostra a passagem da adolescência para a vida adulta.


Opinião:



Carlos Jr nos apresenta poemas com uma pitada de crítica política e social. O desabafo é notado já no nome do livro. Mas não pensem que encontrarão palavrões nas linhas poéticas. Na verdade diversos temas são abordados, o que não nos deixa com a monotonia de estar sempre lendo a mesma coisa.

Cito um trecho de um poema que me chamou a atenção:

Abaixo a toda fé
Abaixo à religião
Tudo isso nada mais é,
Tudo alienação.

Moicanos, laços vermelhos, Che no peito
Socialismo para igualdade
Anarquismo para o controle.
Já estou tão entediado,
Dessa falta de opinião.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Resenha - Clássicos da poesia brasileira


Editora: Klick
Ano: 1997
Páginas: 196

Sinopse:

Esta antologia torna acessível ao leitor uma parcela muito importante da produção poética brasileira anterior ao modernismo. Vinte poetas significativos da história da nossa literatura estão aqui representados por seus poemas mais conhecidos e admirados. Foram selecionados os textos estudados com freqüência em nossas escolas e, portanto, exigidos pelos exames vestibulares de todo país.

Opinião:

Adquiri um gosto maior pela poesia nos últimos anos, quando pude ter um contato maior com o mundo da literatura e conheci poetas tanto pessoal quanto virtualmente.

A coletânea CLÁSSICOS DA POESIA BRASILEIRA estava na minha estante há mais de uma década, sendo que eu havia lido poucos trechos. Mas dessa vez completei a leitura e pude comprovar a qualidade dos poetas clássicos do nosso país.

Gregório de Matos, Olavo Bilac, Castro Alves, Sousândrade, Cruz e Souza, Augusto dos Anjos, Fagundes Varela, Gonçalves Dias e tantos outros são apresentados nessa obra com seus principais trabalhos, subdivididos por escola literária. Muito deles morreram jovens e, com certeza, ainda teriam muito a nos apresentar. As dificuldades referentes à pobreza, amores e doenças eram postas nos versos por esses autores que, em sua maioria, viveram no século XIX. O vocabulário é rebuscado e é bom ter um dicionário do lado para acompanhar.


sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Resenha - Faz escuro mas eu canto - Thiago de Mello

Faz escuro mas eu canto - Thiago de Mello

Sinopse:

Em Faz escuro mas eu canto, Thiago de Mello espalha sua canção de liberdade e contagia os leitores com uma poesia ímpar. "Freud comparou o sonho a uma voz de criança que canta no escuro porque sente medo. O Canto no Escuro, de Thiago de Mello, ao contrário, nos inspira coragem. Sua poesia também é relógio: dá a hora do galo que anuncia a aurora."

Opinião:

Livro de poesias escrito na década de 60, traz o trabalho de um dos melhores poetas brasileiros. Amazonense, Thiago de Mello nos brinda com palavras simples e cativantes. O destaque é o poema ESTATUTOS DO HOMEM, que de maneira impositiva, mas sem ofender, decreta que o homem deve pregar o amor, a liberdade, a amizade e outros sentimentos no seu cotidiano.